
As marcas do Carnaval ainda estavam na Apoteose. As cadeiras inferiores viradas de costas para a passarela do samba, como se estivessem em uma ressaca da festa pagã.
Uma fina chuva antes ameaçou estragar o espetáculo, mas durante a apresentação os deuses da música conseguiram um armistício com os deuses do clima e não choveu; o risco suficiente, porém, para permitir que os ambulantes fizessem um bom caixa vendendo as indefectíveis capinhas plásticas que inundaram o local.
A enorme animação do público de cerca de 30 mil pessoas na Praça da Apoteose foi bastante para manter o astral elevado. Um pouco além de 20h., depois da introdução do Danúbio Azul, de Strauss, marcado corretamente pelas palmas do público, a banda entrou com “Life in Technicolor”.
Vê-los agindo de forma tão interativa com seu público destoa muito de seu inicio de carreira, quando em 2000 “Parachutes”, seu primeiro album, assombrou a cena roqueira inglesa. “Parachutes” trazia em sua receita tudo de bom que as ilhas britânicas produziram até hoje: as melodias dos Beatles, a melancolia do Joy Division, o messianismo do U2, a colagem pop do Oasis, os climas delicados do Cocteau Twins, a pegada do Blur e a sonoridade de Lloyd Cole; a voz de Chris Martin, semelhante à de Dave Mathews segurava suavidade, angústia e aceleração com a mesma qualidade.
Por muito tempo eu escutava Coldplay e aquela primeira impressão de melancolia e tristeza ainda pairava no ambiente, como um fantasma tímido, acentuado pelo piano em primeiro plano e pela guitarra marcante de Jonny Buckland. “Spies” e “Trouble” (que, infelizmente, eles não tocaram aqui) me deixavam com a sensação de que os amores perdidos nunca seriam curados.
O show atual reproduz quase integralmente o álbum “Viva La Vida or Death and all his friends” e o EP “Prospekt’s March”, lançados em 2008. Viva La vida não é o meu favorito, apesar da produção de Brian Eno, um dos meus mais estimados produtores (ex-Roxy Music e responsável por grandes discos do U2). Mas não é que “Viva La vida”caiu no gosto geral?
Já o espetáculo ao vivo é mesmo um primor visual e sonoro. No show do Rio, Chris Martin recolheu uma bandeira do Brasil e a amarrou ao pedestal de seu microfone e lá ficou pelo resto da noite. A banda foi e voltou nas duas rampas que levavam ao meio do público. O mini set acústico é bastante intimista, o que até poderia comprometer a atenção do público em qualquer outra banda, mas todos acompanham os passos dos quatro músicos na ida e vinda com absoluta atenção.
A cozinha Berryman e Champion funciona com perfeição, no baixo e bateria.
Apesar de a música título do ultimo disco ter sido a mais festejada, os grandes momentos do Coldplay estiveram em "Clocks", "In My Place", "Yellow" (com as enormes bolas amarelas jogadas para a plateia), "Fix You", "God Put A Smile Upon Your Face", “Lost”, “Shiver” e, claro, “The Scientist”; durante “Lovers in Japan” outra forma de chuva caiu sobre os fãs, mas em forma de papel picado imitando borboletas coloridas, criando um visual onírico contraposto pelos fogos de artifício que encerraram o espetáculo após “Life in Technicolor 2"
Após 1h45 de show, com duas dúzias de músicas, o Coldplay teve o dom de nos fazer constatar que de fato a vida é bela; então, viva la vida! Inesquecível.
--------------------------
Para Denise (“The Scientist”) e Mariana (“Viva la vida”), que sempre compartilharam comigo o gosto pelo Coldplay.
Uma fina chuva antes ameaçou estragar o espetáculo, mas durante a apresentação os deuses da música conseguiram um armistício com os deuses do clima e não choveu; o risco suficiente, porém, para permitir que os ambulantes fizessem um bom caixa vendendo as indefectíveis capinhas plásticas que inundaram o local.
A enorme animação do público de cerca de 30 mil pessoas na Praça da Apoteose foi bastante para manter o astral elevado. Um pouco além de 20h., depois da introdução do Danúbio Azul, de Strauss, marcado corretamente pelas palmas do público, a banda entrou com “Life in Technicolor”.
Vê-los agindo de forma tão interativa com seu público destoa muito de seu inicio de carreira, quando em 2000 “Parachutes”, seu primeiro album, assombrou a cena roqueira inglesa. “Parachutes” trazia em sua receita tudo de bom que as ilhas britânicas produziram até hoje: as melodias dos Beatles, a melancolia do Joy Division, o messianismo do U2, a colagem pop do Oasis, os climas delicados do Cocteau Twins, a pegada do Blur e a sonoridade de Lloyd Cole; a voz de Chris Martin, semelhante à de Dave Mathews segurava suavidade, angústia e aceleração com a mesma qualidade.
Por muito tempo eu escutava Coldplay e aquela primeira impressão de melancolia e tristeza ainda pairava no ambiente, como um fantasma tímido, acentuado pelo piano em primeiro plano e pela guitarra marcante de Jonny Buckland. “Spies” e “Trouble” (que, infelizmente, eles não tocaram aqui) me deixavam com a sensação de que os amores perdidos nunca seriam curados.
O show atual reproduz quase integralmente o álbum “Viva La Vida or Death and all his friends” e o EP “Prospekt’s March”, lançados em 2008. Viva La vida não é o meu favorito, apesar da produção de Brian Eno, um dos meus mais estimados produtores (ex-Roxy Music e responsável por grandes discos do U2). Mas não é que “Viva La vida”caiu no gosto geral?
Já o espetáculo ao vivo é mesmo um primor visual e sonoro. No show do Rio, Chris Martin recolheu uma bandeira do Brasil e a amarrou ao pedestal de seu microfone e lá ficou pelo resto da noite. A banda foi e voltou nas duas rampas que levavam ao meio do público. O mini set acústico é bastante intimista, o que até poderia comprometer a atenção do público em qualquer outra banda, mas todos acompanham os passos dos quatro músicos na ida e vinda com absoluta atenção.
A cozinha Berryman e Champion funciona com perfeição, no baixo e bateria.
Apesar de a música título do ultimo disco ter sido a mais festejada, os grandes momentos do Coldplay estiveram em "Clocks", "In My Place", "Yellow" (com as enormes bolas amarelas jogadas para a plateia), "Fix You", "God Put A Smile Upon Your Face", “Lost”, “Shiver” e, claro, “The Scientist”; durante “Lovers in Japan” outra forma de chuva caiu sobre os fãs, mas em forma de papel picado imitando borboletas coloridas, criando um visual onírico contraposto pelos fogos de artifício que encerraram o espetáculo após “Life in Technicolor 2"
Após 1h45 de show, com duas dúzias de músicas, o Coldplay teve o dom de nos fazer constatar que de fato a vida é bela; então, viva la vida! Inesquecível.
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Para Denise (“The Scientist”) e Mariana (“Viva la vida”), que sempre compartilharam comigo o gosto pelo Coldplay.
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