
A banda de rock inglesa Radiohead causou grande comoção quando lançou seu disco In Rainbows, em 2007. Qual a novidade? Bem, primeiro, nem sei se é certo utilizar a palavra disco, pois a banda disponibilizou inicialmente as músicas em seu site na internet e o ouvinte poderia fazer o download legal, bastando depositar o valor que bem entendesse pelo álbum, qualquer valor, frise-se. Ok. Computer. Por causa disso a banda foi duramente atacada por outros artistas. A crítica era que a banda estava banalizando seu próprio trabalho, amorfo de valor e legitimando o pagamento de valores mínimos para obtenção de música na internet, este anjo caído, sempre condenado pelos males humanos. Bobagem. Esta discussão está apenas no início; vivemos na era tecnológica mais rica da história humana; depois do formato digital, qualquer coisa convertida pode sair de um computador do interior do Brasil e chegar em segundos ao Japão. Talvez alguns ainda tenham saudade do telégrafo, do cabo submarino ou dos arautos antigos. Eu gosto de tecnologia, porém, não aprovo de forma nenhuma a pirataria, principalmente a que grassa nas banquinhas das praças brasileiras, sem trocadilhos.
A lei brasileira permite que se faça uma cópia de segurança para arquivo pessoal: cópia de seus próprios discos. E apenas isso. O Radiohead é dono de seus direitos autorais. Pode fazer o que quiser com seu trabalho. Até disponibilizar para download gratuito na web, a exemplo de outros artistas que já fizeram isso. Sites como o You Tube fazem da internet uma vitrine de novos talentos, como o sucesso (superestimado) do Ok Go ou do Arctic Monkeys. O futuro? Tecno-Democracia. A era da tv digital vai marcar a convivência de todas as mídias, clássicas ou novas: blu-ray, hd-dvd, cd, dvd, rw, mp3, mp4, divx, wma, vinil, fm ultra, iphone, tv full hd. Os formatos de áudio também mudaram: há décadas o som mono foi substituído com vigor pelo Stereo. Depois foi o PCM linear, depois o surround 2.1, 5.1, 6.1. 7.1 Dolby, depois DTS, THX e Neural. Vá até a Home Theater Center, no retorno do Calhau e peça para Sérgio uma demonstração tecno e dificilmente sairá de lá sem estar encantado com a qualidade de telas Planar, receivers Onkyo e caixas da Polk Audio. Tenho amigos de todo gosto e mania musical. Uns que só fazem download, outros que só compram discos. Tem até os que ainda escutam vinil (eu, inclusive). Afinal um prato Technics ou Stanton ligado a um bom receiver e caixas high end produz um som mágico; quando minha filha mais velha tinha uns três anos, ela ficou olhando um disco de vinil em minha mão e após alguns segundos me perguntou o que era aquilo; eu disse que era um disco etc; aí ela me indagou como eu ia colocar aquele discão na bandeja do cd player que estava na minha estação de aparelhos. Eu ri e mostrei a ela que além do compact disc que ela conhecia havia também um outro aparelho que tocava música, um prato turntable. Ela não se interessou muito, nem colocou jamais um vinil para rodar, mas, lógico, hoje também é adepta do ipod e mp3, coisas de seu tempo.
Apesar de tantas novas mídias, eu ainda não abandonei o velho formato dos cds, com seu som Stereo e PCM. Ainda me encanta ouvir o disco Köln Concert, de Keith Jarrett, gravado na década de 70 ou o som envolvente e cristalino de Kind of Blue, do mago Miles Davis. Um disco é caro, ocupa espaço físico na estante, tem que cuidar para evitar mofo etc. Mas tem o trabalho de quem fez a arte gráfica da capa e encarte; tem fotos, letras (nem sempre); ah, capas como as que Peter Saville fez para o Joy Division e New Order; as capas do Cocteau Twins e dos Smiths...Além disso, é uma indústria que gera empregos; muitos. Claro que as mesmas gravadoras são braços de fábricas transnacionais que também fabricam os discos graváveis. Claro que a indústria fonográfica vai ter de rever o formato dominante, mas não creio que os discos vão desaparecer tão cedo. A disputa entre blu-ray e hd-dvd prova isso. É um sopro de vida para elas, como foi o dvd no final da década passada e que agora já é um velho senhor quase obsoleto. Por isso mesmo eu já estou na fila da Saraiva.com para receber meu disco do Radiohead, que será lançado no Brasil no dia 23 de janeiro. Sim, ainda prefiro comprar discos em vez de ter simplesmente um Hd cheio deles.
A título de curiosidade, a produção do filme Tropa de Elite sugere que as pessoas que o assistiram em cópia pirata e que gostaram da película, podem doar o valor do ingresso para o Instituto Nacional do Câncer - Inca ( Banco do Brasil, agência: 3118-6, c/c: 16021-0). Serve para amenizar a culpa. Boa iniciativa.
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