A magnífica atriz Marília Pêra fez a montagem teatral ‘Gloriosa’ inspirada na vida da cantora Florence Foster Jenkins, que viveu em Nova York na década de 40 do século passado. Florence, filha de um rico banqueiro americano, era completamente apaixonada pela música lírica e isso não seria nada demais não fosse o detalhe de que ela não tinha talento vocal algum! Contemplada com sua fortuna, Florence promovia recitais anuais no célebre Hotel Ritz apenas para convidados que ela mesma ‘entrevistava’ antes da exibição.
Na platéia eram habitués os fabulosos Cole Porter e Noel Coward, que eram brindados com garrafas de finas bebidas e com um repertório caprichado que incluía Mozart e Strauss exemplarmente mal interpretados; isso mesmo, Florence cantava mal, tão mal que foi apelidada de “a diva do grito”.Florence desde criança quis ser cantora lírica. Mas o próprio pai, vendo sua completa falta de talento vetou sua pretensão. Apenas com a morte de seu pai e o advento de sua fortuna hereditária é que Florence voltou a cantar, afinal, sua paixão pela música era intensa.
A peça de Marília Pêra, em ritmo de comédia, é narrada pelo olhar do pianista Cosme McMoon, que a acompanhou até sua morte em novembro de 1944. Aos 76 anos, Florence encarou o maior desafio de sua vida, quando aceitou fazer uma apresentação no magistral Carnegie Hall. Mais de três mil pessoas lotaram a sala de concerto e outro tanto voltou da porta do teatro. Dizem que o público rolava de tanto rir de sua apresentação desengonçada, principalmente por causa de seus figurinos exuberantes, notoriamente a sua famosa roupa com asinhas...
Florence morreu um mês depois do espetáculo; McMoon disse que foi fruto da depressão causada pelas críticas agudas à sua falta de talento feitas nos maiores jornais de Nova York. Não se sabe ao certo se Florence sabia de sua limitação ou se realmente se achava uma diva. Ela gravou dois discos. Hoje em dia ela poderia realmente ter uma carreira normal, até de sucesso midiático. E olhe que ela gostava de canto lírico, o mais difícil caminho da música vocal. Mas quantos cantores não tem voz alguma, porém apoiados por uma boa produção de estúdio conseguem façanhas na mídia? Aliás, quantas invenções da mídia não nos iludem a ponto de um certo Milli Vannili ter ganho o Grammy de 1990 com cantores que nem cantavam de verdade, mas sim seus dublés? Fora as Mallu da moda?
Resumo da ópera: hoje em dia existe uma infinidade de amantes da música que se dividem entre karaokês e gravadoras que cedem seus estúdios e equipamentos por um dia para os amantes da música registrarem seus legados. Sem sentirem vergonha de sua falta de talento; o que importa é se divertir. Florence aprovaria.
Resumo da ópera: hoje em dia existe uma infinidade de amantes da música que se dividem entre karaokês e gravadoras que cedem seus estúdios e equipamentos por um dia para os amantes da música registrarem seus legados. Sem sentirem vergonha de sua falta de talento; o que importa é se divertir. Florence aprovaria.
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