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18 de mai. de 2010

Mapas e GPS


Todos os pais com mais de trinta anos respondem diariamente à pergunta de como viviam sem internet e celular. Sim, vivíamos sem web – e vivíamos bem! Nossa comunicação não precisava de Orkut, MSN, Twitter ou torpedos – esses digitais dos celulares (embora os mais atrevidos mandassem sob esse nome bilhetinhos de papel em direção a alguma paquera). Era tudo mais físico, próximo e acolhedor. Não era como no Second life, que se encarregou de transformar a vida em um avatar de gosto duvidoso. Hoje, a presença física foi substituída pelo contato virtual, online. Claro que a rede de telefonia da ditadura brasileira parecia a prima irmã da soviética, tão ruim que era e mesmo assim tão difícil de adquirir uma linha. Eu não sou dos que dizem que antigamente era tudo muito melhor; havia coisas melhores e piores do que hoje. Mas em média os tempos atuais são melhores, em quase tudo.
E confesso que adoro tecnologia; mas eu ainda sou do tempo do mapa geográfico impresso; herdei esse gosto de meu pai. Quando ele me deu um globo terrestre me despertou a vontade de ser um desbravador tipo medieval em busca de novos oceanos. E passei a vasculhar livros atrás da história dos estados, das regiões, dos países, sabia as capitais todas, me via naqueles lugares, adorava geografia. Depois, quando viajávamos, nós aprendíamos a ler os mapas para encontrar o destino; isso fazia aquele garoto de doze anos sentir-se um verdadeiro navegador veneziano em terras alheias. E assim foi por décadas, quando me perdi e me encontrei depois nas cidades em que dirigi um carro. Gastei gasolina a mais, ajudei a poluir o planeta, mas voltei inteiro de todas as viagens que fiz.
Em 2009, quando viajamos de Miami para Orlando em uma minivan, tivemos o cuidado de alugar junto um GPS; por precaução eu peguei na locadora um mapa impresso bem detalhado da região e guardei comigo. Não lembro depois se foi Denise, Joanna ou Gabrielle quem deu o nome de Maria ao aparelhinho GPS do carro, por conta de seu sotaque lusitano. O nome não saiu mais, era Maria isso e aquilo; parecia até viva, como diziam Lucas e Mauro; ainda mais essa agora, tamanha a inteligência artificial dessas criaturas. Era só digitar o destino na telinha lcd, seguir as ordens da maquineta e logo chegávamos sem susto ao ponto desejado. Tempos pós-modernos.
Matrix, Terminator e Eu Robô prevêem um futuro de máquinas dominando o mundo – acho que esse futuro já chegou. Mas percebo que nós já estamos totalmente dependentes das máquinas que criamos. Devemos equilibrar o conforto da vida moderna, usando as máquinas, sem abrir mão do contato físico, senão a sociedade virará uma colcha de ermitões, cegos e obedientes apenas aos comandos das máquinas. Há trezentos anos a Revolução Industrial mudava o rumo da humanidade. James Watt aumentava a produção fabril pelo uso da máquina a vapor e o resto é história. Como imaginar a vida humana sem geladeira, fogão, carro, avião, televisão, rádio, telefone, celular, ultrasom, satélite, computador...
A verdade é que o mapa impresso foi substituído com vantagem pelas imagens que vemos no Google Earth; você procura antes, encontra seu destino e já sabe de antemão detalhes de sua viagem – se perdeu um pouco a novidade,ganhou em tranquilidade e segurança. Não é difícil descobrir que não são apenas os pilotos e navegadores de rally que adoram satélites.
Os mapas da Flórida? Não abri nenhum; devem estar no fundo da mala. Nem me preocupei. Maria resolveu tudo sozinha.

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