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18 de mai. de 2010

Joy Division: Control


A cultura pop ocidental está repleta de ícones que partiram precocemente desta vida, pelos mais variados motivos, como James Dean, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Cazuza ou Renato Russo. Outros optaram pelo suicídio, como Michael Hutchence (do INXS), Kurt Kobain (do Nirvana) e Ian Curtis, do Joy Division. Sobre os últimos anos deste último e para deleite dos fãs do Joy Division é que veio à luz o bom filme CONTROL, do holandês Anton Corbjin, renomado fotógrafo, que fez a arte de várias bandas famosas, como U2, Depeche Mode e New Order. Tradicionalmente adepto da fotografia em preto e branco, Corbjin imprimiu seu primeiro filme também em P&B, o que causou bom efeito, pois retratou a atmosfera cinzenta da Manchester do final da década de 70. Aliás, ao contrário do filme ‘A festa nunca termina (24 hour party people), que tinha um tom mais de deboche do que de documentário sobre as bandas vindas de Manchester, Control tenta apreciar mais os detalhes da intimidade do vocalista Ian Curtis, a fim de traçar uma linha crescente entre sua personalidade complexa e o fatídico suicídio de 18 de maio de 1980.

Apesar de inserido no momento histórico da ascensão da agressividade punk, Ian tinha um temperamento doce, poético e introspectivo. Seu relacionamento com Hooky, Barney e Stephen (futuros New Order) era amistoso e sincronizado. Ao contrário da maioria dos jovens rebeldes que vinham da classe operária, Ian vinha de família de classe média da redondeza de Manchester, tinha emprego fixo em uma agência de empregos e sua maior influência sonora vinha de David Bowie e Kraftwerk. A personalidade soturna de Ian foi moldada por vários fatores, como seu casamento precipitado com Deborah, o nascimento de sua filha Natalie, seu sentimento de incapacidade financeira em relação à família. Ademais, a descoberta da Epilepsia aos vinte anos o obrigava a tomar remédios fortes, que lhe gerava uma depressão crescente. Some-se a isso seu divórcio mal-resolvido com Debbie e seu amor incipiente com a diplomata belga Anik Honoré. Era patente sua incapacidade de lidar com o sucesso do Joy Division, já na época em ascensão de destaque na cena roqueira inglesa, criando as bases do pós punk. Às vésperas da turnê para os EUA ele terminou tudo com uma forca improvisada na cozinha de casa.

Sem o Joy Division não existiria hoje Radiohead, U2, Killers e Interpol, sua mais fiel tradução, todos fãs confessos da banda de Manchester. New Order? Isso é assunto para outro dia. ‘Love will tear us apart again…’

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